Era uma vez uma menina, uma menina pequena, uma menina frágil, uma menina do papá. Mas esse pai que ela tanto adorava foi embora cedo demais, várias circunstâncias assim o fizeram, uma dor que ainda hoje a menina sente, e já passaram vários anos.
Antes de continuar
a história... Eu não sei porque estou a contá-la, talvez por me magoar, ou com
esperança que um dia a venhas a ler, ou até para te tentar compreender, mas
essa parte acho pouco provável.
Passaram vários
anos e a distância era evidente, e sozinha, a menina não podia fazer muito
afinal, "o tango dança-se
a dois". Surgiu outra mulher, talvez o grande problema venha daqui, e
a menina pequena passou para segundo plano, como ainda o é nos dias de hoje. E
nos dias de hoje, é amor ou ódio? O pai estava sempre com a menina, levava-a
todos os dias à escola, um beijo de boa noite todos os dias, e agora? Onde está
o pai da menina?
Hoje as lágrimas
são mais que muitas, não sei se de saudade ou se a menina, já crescida nos dias
de hoje, sente só raiva. Acho que nem a jovem sabe.
Passaram anos, a
menina cresceu, acabou o 6ºano, acabou o 9º, acabou o secundário, entrou na
universidade e onde estava o pai? Onde estava ele para lhe dizer "parabéns
filha, boa sorte, vais conseguir". Foram anos sem contacto, foram anos que
o pai esteve sem filha, por sua mera culpa, como será que ele se sente? Será
que se arrepende? Será que teme o futuro dos dois? Agora o pai perdeu por falta de comparência.
Perdeu momentos muito especiais para a menina, que quando crescer, se vai lembrar
que o pai faltou, as memórias que ela terá serão a sua ausência . É duro. Mas nunca é tarde...
Ela bem que tentou,
ao longo dos anos, manter a boa relação, mas hoje ela já não tem mais esforços,
os esforços esgotaram. Ela fez tudo o que podia, e hoje já não consegue fazer
mais.
E como essa menina,
existem milhares de outras meninas e meninos com uma história idêntica. E esta
menina deixa um conselho, não
se importem mais, não se esforcem mais, porque se já fizeram todos os esforços
e mesmo assim o pai (ou até a mãe) não mostra arrependimento, é porque na
realidade não vos merece. Isto é cruel, mas infelizmente é verdade, e precisam
de ter forças para dizer para vocês mesmos que não são vocês que estão a
perder, e que na realidade, vocês são felizes na mesma, basta querer!
Custa
a crer, mas lá no fundo a menina ainda acredita que a cumplicidade ainda vai
renascer. Afinal, pai é pai.

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