Em
tempos tinha tudo. Em tempos tinha um mundo perfeito, um mundo ideal. Ou
melhor, em tempos achei que não me faltava nada.
Tínhamos
um lugar onde não me sentia sozinha ou insegura. Tínhamos um porto seguro. Meu.
Teu. Nosso. De todos os que nos pertenciam. Um porto seguro para nos abrigar de
tudo aquilo que eu achava que era mau, de tudo aquilo que era prejudicial, de
tudo aquilo que achava que era cruel no mundo lá fora.
Hoje?
Hoje eu estou num novo abrigo. Hoje tu estás num novo abrigo. Circunstâncias
afastam as pessoas e, hoje, somos eu e tu. Hoje não existe o "nosso"
sítio. Hoje era altura de "deixar voar" tudo aquilo que construímos e
tudo aquilo que ficou por dizer e/ou fazer.
Hoje
mudava tudo. Mudava tudo para voltar à nossa casa. Mudava tudo para te dizer
aquilo que mereces ouvir e não aquilo que convêm. Mudava tudo para me voltar a
sentir segura e protegida como antigamente. Mudava por uns meros minutos,
porque na realidade, sei que a nossa casa não volta. Também não o desejo. Muita
coisa falhava. Mas eu achava-a perfeita e ideal. Na realidade não o era, mas
aos olhos de uma criança não há falhas. Gostava de ter esses olhos novamente,
gostava de voltar a ver dessa maneira.
Hoje
sinto-me em casa, hoje estou em casa. Mas não há como a primeira.
Falhei.
Assim como tu. Não peço desculpa mais uma vez. Mas espero ansiosamente pelo dia
que o faças. Pelo dia que o faças, com sinceridade. Pelo dia que o faças, sem
que te sintas pressionado por outros fatores.
Espero.
Ansiosamente.
Mesmo
que me julguem, não, ainda não perdi a esperança.
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