Foi no dia 16 de junho de 2017 que o jornalista
Rodrigo Guedes de Carvalho, no Jornal da Noite da SIC fez um fecho
impressionante que veio a tornar-se viral!
Com 53 anos, o jornalista e também escritor e
argumentista, apresenta à vários anos as notícias em horário nobre com a sua
célebre forma de despedida de "É tudo do país e do mundo, boa
noite e bom fim-de-semana".
Pessoalmente, este fecho viral, emocionou-me de uma
certa forma...
O jornalista começa por referir, numa nota pessoal,
que entre muitas pessoas na Feira do Livro em Lisboa, que se realizou de 1 a 18
de junho, conheceu uma menina "especialmente encantadora" que
gosta muito da SIC e da forma como Guedes de Carvalho se despede no Jornal da
Noite.
Após surpreender a menina e os pais, que possivelmente
achavam que o jornalista se tinha esquecido, faz um sinal secreto combinado
entre os dois e faz a célebre despedida. Salienta, antes disso, que"partilho
a história porque acho que devemos todos ajudar a construir um mundo onde as
crianças vejam que os adultos não faltam à sua palavra".
Quando ouvi estas palavras, depois de me emocionar,
repeti o vídeo vezes e vezes sem conta. Pessoalmente, levo as promessas muito a
sério, E, tal como Rodrigo Guedes de Carvalho referiu, os adultos faltam com a
sua palavra... Quando eu era criança, ouvi promessas, tantas mas tantas
promessas que, até hoje, ainda não foram cumpridas. É triste e destroem sonhos
a uma criança.
Atualmente, não gosto que as pessoas me façam
promessas, aliás, digo mesmo "não faças promessas que não sabes se
vais ou não cumprir". Não o faço por mal, mesmo sabendo que
alguns não me iam falhar, faço-o apenas por ter várias promessas que não foram
cumpridas.
Lembro-me de uma simples promessa que me
fizeram, "este ano vamos à Serra da Estrela!", parece
algo banal... Mas para uma criança que nunca viu neve é triste. E, naquele ano,
não fui à Serra da Estrela. No ano seguinte, a mesma promessa e, mais uma vez,
não fui ver a neve. Mais um ano, mais uma promessa e mais um fracasso.
Lembro-me de todos os anos ouvir a mesma coisa e o resultado final ser sempre o
mesmo. Não ficaria triste se tivesse sido um ano em que, por alguma razão mais
forte, não fosse possível ir até à Serra da Estrela, mas todos os anos... É
triste.
E assim como a simples história da neve, lembro-me de
mil e uma promessas feitas e não cumpridas."Mesmo que vás embora, vou
sempre tomar conta de ti", por exemplo. É de partir o coração.
Hoje não faço promessas, nem gosto que me façam a mim.
Prefiro que não o façam. Prefiro que o façam naturalmente. Sem promessas. Sem o
risco de não cumprirem. Apenas com o gosto da palavra.
Falhar com a palavra é algo que me toca
particularmente, é algo que eu levo muito a sério. Então quando envolve
crianças mais me emociono. Não referindo que as crianças são o nosso futuro e
que há certos valores que têm de ser ensinados de geração em geração, referindo
apenas que são crianças...
Os sonhos de crianças não são para ser quebrados, nem
os sonhos de crianças nem os de adultos, mas as crianças são tão frágeis e tão
sensíveis. Muitos adultos acham que as crianças se esquecem, que não se vão
lembrar, estão tão enganados.
Quando não são capazes de cumprir as promessas, não as
façam... Não sejam capazes de destruir sonhos e de destruir um mundo. Por
vezes, não são capazes de cumprir uma primeira vez, porque algo imprevisto
acontece, nesses casos eu não julgo e compreendo. Mas quando a voltam a fazer,
vezes e vezes sem conta e, mesmo assim, não a cumprem. Isso é lamentável. Isso
é triste. Isso é revoltante.
Eu, tal como Guedes de Carvalho, também acho que é
importante "construir um mundo onde as crianças vejam que os
adultos não faltam à sua palavra". É algo que não deve ser
quebrado. É algo que deve ser ensinado desde cedo.
Até hoje, não vi neve...
Resta-me agradecer ao jornalista Rodrigo Guedes de
Carvalho por ensinar esta lição aos adultos, agradecer por cumprir com a sua
palavra. E que todos fossem assim.
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