Juntos

Ontem, dia 27 de junho de 2017, realizou-se no MEO Arena um concerto solidário para com as vítimas dos incêndios que ocorreram nos últimos dias.
Em Pedrogão Grande faleceram 64 pessoas e outras 200 ficaram feridas. Cerca de 90 casas ficaram destruídas...
É triste olhar para este cenário. Um lugar cheio de cor, hoje resume-se a cinzas. Cinzas com tantas histórias. 
A questão dos incêndios é grave e deve ser resolvida. Todos os anos a história repete-se, mais incêndios, milhares de hectares destruídos, casas destruídas, pessoas feridas, vidas perdidas. Este ano ultrapassaram-se todos os limites. Estava em casa quando ouvi a notícia do incêndio e quando ouvi que se confirmavam 19 mortes. Fiquei chocada. Bem imaginei que o dia seguinte ia tornar-se num pesadelo. 
Na minha humilde opinião acho que muita coisa teve que falhar. Não sei de quem é a culpa. Os bombeiros fizeram tudo o que podiam, tenho a certeza. Infelizmente, esses anjos não chegam a todo ao lado. Não compreendo quem os pode difamar, não são todos que arriscam assim a vida própria pela vida de outros, e isso não tem preço. 

Imagem RTP


Foi então realizado um concerto com o objetivo de angariar dinheiro para as vítimas dos incêndios. Foi possível angariar cerca de 1 milhão e 150 mil euros. 
Este evento contou com artistas como Agir, Amor Electro, Ana Moura, Aurea, Camané, Carlos do Carmo, Carminho, D.A.M.A, David Fonseca, Diogo Piçarra, Gisela João, Hélder Moutinho, João Gil, Jorge Palma e Sérgio Godinho, Luísa Sobral, Luís Represas, Matias Damásio, Miguel Araújo, Paulo Gonzo, Pedro Abrunhosa, Raquel Tavares, Rita Redshoes, Rui Veloso e Salvador Sobral. 
Um evento único que reuniu RTP, SIC e TVI e vários rádios nacionais. Isto nunca aconteceu. Isto foi único. 
Organizar um evento deste tipo numa semana... É de louvar. Imagino muita gente sem dormir durante dias para que tudo fosse possível. 
Hoje só ouvimos falar do insólito comentário de Salvador Sobral. Pessoalmente não achei a melhor situação, mas não acho que é necessária tanta importância. Todos conhecemos a lado imprevisível do vencedor do Festival da Eurovisão e há coisas tão mais importantes para falar hoje. Como a ajuda e o trabalho de todos para que o concerto fosse possível, a quantidade de dinheiro que foi juntada, sem contabilizar a conta IBAN, todos os bens já enviados diretamente para todas as terras, as excelentes atuações da noite, os que ficaram sem nada...
É triste ver alguma parte da comunicação social a dar mais importância a este simples facto do que ao essencial do que se passou ontem. Ontem fez-se história! Uma bonita história. que pretendo não esquecer.


Imagem Renascença 

Depois destes dias, depois de muito me emocionar com os acontecimentos dos últimos dias... Por muito cliché que isto seja mas fiquei a pensar... E se amanhã não estivesse cá? 
Tenho tantos pedidos de desculpa por fazer, por muito banais que sejam. Tenho ainda tanto por dizer. 
É triste pensar mas, às vezes, não nos preocupamos com aquilo que é realmente importante. Deixamos coisas por dizer. Deixamos coisas por fazer. 
O ideal é viver cada dia como se fosse o último. Falar é muito fácil, eu não faço isto todos os dias, infelizmente. Gostava mesmo de conseguir fazê-lo. 
De um momento para o outro "desaparecemos"... Quantas coisas deixavas por dizer? Eu deixava, muitas, milhares de coisas. Preocupo-me com isso? Poucas vezes. E isso é triste. 
Acho que todos aprendemos alguma lição nos últimos dias. Eu aprendi várias. E ao contrário das outras vezes, em que me preocupava hoje, amanhã, para a semana já não me lembrava, desta vez, espero mesmo que seja diferente, como homenagem a tantos que perderam a vida. 
Procurar inspiração e fazer algo diferente. Alguma coisa diferente. Todos os dias. Todos os dias são dias. Hoje até posso ir só experimentar um restaurante novo. Amanhã posso ir entregar comida a alguém que precise. Para a semana até posso fazer alguma coisa que nunca pensei ser capaz. Mas é importante fazer alguma coisa, todos os dias, até ao limite, para que, à noite, quando me deitar pensar "hoje valeu a pena". 
Muitas vezes vou deitar-me sem conseguir tirar proveito do dia, sem conseguir dizer "hoje superei todas as expectativas". Isso não é viver, isso é sobreviver. E eu acho que não estamos cá para sobreviver, estamos para viver e para marcar a diferença. 
Parece muito fácil falar, nunca consegui fazer isto todos os dias. E como eu, há tantas pessoas. É preciso mudar o mundo. Proteger as florestas. Proteger as vidas. Arranjar empregos. Arranjar comida para aqueles que não a têm. 
Não passa só por dizer que fazemos x, y e z e, no fim, não há resultados. Isso é uma desilusão. Assim como os últimos acontecimentos, não vamos deixar que se repita. Vamos começar por marcar a diferença, não deixar que o mundo seja frio, frágil e insensível. 
Ontem vimos que Portugal é capaz de estar todo junto, por que não tomar isso como uma iniciativa?
Temos um mundo à espera, para quê deixar coisas por fazer ou coisas por dizer? 
Há quem desista à primeira dificuldade, há quem se fique pelos sonhos. Eu era assim ontem, hoje não. 


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