Três irmãos


Somos três irmãos. Eu sou a mais velha. Muito, muito mais velha. O Pedro, 7 anos, e o Lourenço, 4 anos. Eu tenho 21.

Eu sempre quis ter irmãos. Meninos ou meninas. Não queria crescer sozinha. Sempre adorei todos os meus primos, e pelos mais novos tenho um sentido de proteção sem igual, como se fossem meus irmãos, mesmo que hoje já tenham quase 18 anos serão sempre os meus pequenos.

O mesmo direi com os meus irmãos, mesmo quando tiverem 18 anos e mesmo quando forem mais altos que eu.

O Pedro nasceu quando eu tinha 14 anos, estava na adolescência e nem sabia bem o que significava ser a irmã mais velha. Quando ele nasceu, em estava noutra cidade, estávamos em Maio e tinha escola, nunca me vou perdoar por não ter lá estado... Quando o fui ver, eu tinha medo de lhe pegar, medo de o deixar cair por ser tão pequeno, medo de lhe aleijar. Demorei a pegar-lhe, até aceitar o peso da responsabilidade. Pouco tempo foi preciso para me apaixonar por ele. Todos diziam que era muito parecido comigo quando eu nasci. E hoje vejo como és parecido comigo. 7 anos depois. Não me perdoo por ter faltado em muitos momentos, no teu primeiro Natal, quando começaste a falar, quando começaste a andar, no teu primeiro dia de escola, em muitos... A vida faz-nos crescer separados e, por muito que eu entenda, não me perdoo e espero que um dia me possas perdoar.

O mesmo se aplica para o Lourenço, hoje com 4 anos. Eu tinha 17 anos quando ele nasceu. Já era mais responsável, já sabia bem o peso de ser a irmã mais velha. E estive lá. Estive lá quando ele nasceu. Não estava tão longe. E quando o fui ver à maternidade, não hesitei em pegar-lhe, apesar de ter medo na mesma. Quando lhe peguei, parecia que estava recuar três anos no tempo. Eras igual ao Pedrito... Igual. Hoje são muito diferentes, um moreno, outro loiro, mas igualmente doces, têm ambos uma personalidade muito diferente, mas muito igual. 
Hoje já me reconheces e já me chamas "mana" e isso dá-me uma felicidade tremenda. Mas também não me consigo perdoar, por falhar igualmente contigo, no primeiro Natal, quando começaste a falar ou a andar...
Dizem que és muito teimoso, que o és eu não tenho dúvidas, mas gosto de dizer que és muito expressivo. Tens o teu próprio mundo e isso é tão bonito, vês o mundo com os teus olhos. E, assim como digo a um, digo ao outro, espero que me possas perdoar. Quando fores crescido espero que percebas o porquê de ser assim, a culpa não é nossa, a vida é assim. 

Existem perguntas que nunca vou saber responder, por muito que cresça e tenha mais responsabilidade, "onde é a tua casa?", "quando voltas?", "não podes ficar cá até amanhã?", "podes voltar amanhã?". E espero que quando vocês tenham a minha idade, sejamos amigos e muito cúmplices. 
Para ambos, as coisas simples que faço convosco deixam-me tão feliz, dar-vos o pequeno-almoço, levar-nos à escola, ajudar com os trabalhos de casa ou brincar horas sem parar.
Tenha 21 anos, 30 ou 40, vou brincar sempre. Vou proteger sempre. Vou achar sempre que são os meus pequeninos. De longe, mas de coração. Sempre.







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