Por onde começar?

Não sei por onde começar.

Ainda não tinha escrito nada aqui este ano. O último post foi em dezembro. E tanta coisa mudou. Não vale a pena fazer um quadro daquilo que está a acontecer pelo mundo. Basta ligarmos a televisão e somos invadidos por novas informações.

Mudei de casa. Como costumo dizer, na pior altura de sempre. São verdadeiros jogos. Não tenho mobílias. As empresas fecharam, e as entregas não são feitas. É compreensível. Tenho uma cama, televisão no chão. Mas consegui ligar água, luz, internet. Tenho o básico. Estou bem. Mas não deixa de ser uma aventura. 

Felizmente, tenho a oportunidade de trabalhar a partir de casa. O chamado "tele-trabalho". É difícil. É difícil manter o foco. É preciso criar rotinas. 

Não vejo pessoas. Só quando vou às compras. Evito sair o máximo possível. Crio a minha lista de compras e tento adiar o máximo possível. Continuo em casa, trabalho em casa. Sair e apanhar ar? Só na varanda. São tempos tristes. 

Eu e o Joca estamos sozinhos numa cidade onde ninguém nos conhece. Não temos família perto. Temo-nos um ao outro. Nunca utilizei tanto o telefone como agora. Contacto presencial? Só nós os dois. O que se torna cansativo, devo dizer. Estamos os dois em tele-trabalho. Cada um em seu canto. Numa nova fase da vida. Mas não deixo de estar feliz. Estamos a começar a nossa nova vida e não podíamos ter um teste mais duro do que este.

Devo confessar, hoje quebrei. Sou muito ligada às pessoas, à família, ao ar livre. E estar fechada tanto tempo, não ver pessoas há tanto tempo... Fez-me quebrar. Ontem comecei o dia a ver as notícias e devo dizer que foi o dia que mais me custou. O dia foi escuro. O dia custou imenso a passar. O dia não foi produtivo. Foi horrível. Hoje mudei o paradigma. Não vi notícias. Não tenho o mindset de não me conseguir influenciar pelas notícias. Então não as vi. Irei ver, apenas o essencial, apenas para me manter atualizada. Mas não as vou consumir. E devo dizer que o dia de hoje está a ser bem mais alegre e bem mais produtivo. Até nasceu o sol! 

Portanto, é assim que vou continuar. A trabalhar, a partir de casa. Agradecer por puder trabalhar a partir de casa. Não vou sair. Vou sair apenas para as compras essenciais. Não vou consumir notícias. Vou manter-me informada. Vou viver a nossa nova vida. Vou aguentar o verdadeiro teste. Não me vou preocupar com a casa ou com as mobílias. Vou ter tempo para isso depois. Vou ter esperança.

Uma das primeiras coisas que comecei a fazer com esta nova rotina foi arranjar um caderno e escrever. Escrever, uma vez por dia, algo que me apeteça. Nem que seja o resumo do próprio dia. Talvez o comece a fazer aqui.




Inês.





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