Mente cheia, mente ocupada. Memórias que
não me trazem nada de positivo. Memórias que deviam ser apagadas.
Eu queria ter-te conhecido noutra altura.
Queria ter-te conhecido quando estivesses pronto para isso. Queria ter-te
conhecido sem ter ficado com "cicatrizes" e sem medos.
Foste capaz de me prometer mundos e fundos
quando a morte se avizinhava... Hoje, nem mundos, nem fundos. Hoje, só um
vazio, um vazio que não voltaste a preencher.
Foram dias seguidos numa cama de hospital.
Tentei estar sempre presente. Mãos dadas, ou não. Corações apertos e com muito
receio.
Não quero textos perfeitos. Não quero
promessas se não forem para ser cumpridas. Não quero que faltes. Mas a verdade
é que faltas, muito. Faltas muito e desde à muito tempo.
Sempre tentei seguir em frente, nunca
consegui. Sempre guardei todas as memórias, boas e más, acreditando que, um
dia, era para valer. Acreditei mesmo que, desta vez, íamos voltar aquilo que eu
tenho tão bem guardado. Mas não...
Desta vez vou dedicar mais tempo às coisas
que realmente importam e que realmente não falham. Um dia ouvi dizer:
«De alma leve e coração aberto, era
assim que eu me via a cada amanhecer»
Gostava de acreditar que as
memórias já não vivem aqui, mas não tem força interior suficiente para
conseguir avançar. Família é família. Nunca ninguém disse que
era fácil, mas eu gosto do impossível.
Portanto, amanhã ao amanhecer, coração
aberto e alma mais leve do que nunca.

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